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Pioneiros no plantio florestal em terras secas do Quênia
Jean-Paul Deprins, Diretor Administrativo da Better Globe Forestry & Wanjiru Ciira, Editor Administrativo da revista Miti

Artigo Miti em resumo

Descubra os 10 anos de história da Better Globe Forestry Ltd e sua bem-sucedida implementação de plantações comerciais de árvores em terras secas e semiáridas do Quênia. Esses são os trabalhos por dentro de uma empresa com a missão de ajudar pequenos agricultores no leste da África.

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Miti edição no. 25 pág 25-27 Janeiro-Março/2015

Áudio desta entrevista (em inglês):

A Better Globe Forestry (BGF) celebra 10 anos de operações no Quênia este ano. Miti falou com o Diretor Administrativo da empresa, Jean-Paul Deprins sobre as conquistas, visão e missão e objetivos da empresa. Abaixo estão trechos da entrevista:

Quando a Better Globe Forestry foi fundada?

A Better Globe Forestry foi incorporada no Quênia em novembro de 2004. O que faz a empresa ter 10 anos de existência. Agora nós também criamos a Better Globe Forestry Foundation com o objetivo de aumentar a transparência e eficiência para lidar com nosso programa de responsabilidade social empresarial (RSE).

Qual é a visão da empresa?

A visão da Better Globe Forestry é sobre pessoas e árvores. De fato, a visão do nosso presidente, que também é o fundador do Grupo Better Globe, é plantar tantas árvores quanto existirem pessoas neste planeta. É um objetivo ambicioso, de longo prazo, mas para o qual vale a pena trabalhar.

A curto prazo, nosso objetivo é nos tornarmos a maior empresa de plantio de árvores ativa em terras áridas e semiáridas (ASAL). Para isso nós nos demos 20 anos. Isto vai em conjunto com um direcionamento para a erradicação da pobreza destinado a todos os pequenos agricultores nas áreas em que atuamos.

Onde a empresa opera?

A Better Globe Forestry iniciou plantações-piloto em terras secas e semiáridas do Quênia (ASAL) onde ela tem três projetos para florestamento em larga escala. Nós certamente expandiremos nosso campo de operações para países da vizinhança no leste da África nos próximos anos.

ASAL é onde existem terras disponíveis para florestamento em larga escala sem colocar a segurança alimentar em perigo. Enormes porções de terra não são exploradas devido à falta de possibilidades e essas áreas também enfrentam enormes problemas de pobreza. Nossos projetos são possíveis por serem uma resposta sustentável a esses desafios.

O crescimento do mukau

John Njeru (esq.), um membro da equipe da Better Globe Forestry, discute o crescimento do mukau na fazenda de Mulandi Nzama (centro) no Ditrito de Mwingi, enquanto outro agricultor observa. A Better Globe Forestry iniciará este ano um programa de cultivadores externos para agricultores terceirizados. (Foto: BGF)

Quais espécies vocês têm plantado e por que vocês escolheram essas?

Nós nos especializamos no plantio de Melia volkensii, conhecida como mukau no idioma local. É uma madeira de lei da família do mogno, mas ela tem duas características principais que são importantes para nós - a árvore é resistente à seca e amadurece em menos de 20 anos. Isso também nos permite dar bons retornos financeiros para as pessoas que compram as árvores com antecedência.

Acreditamos que a caça ilegal de madeiras de lei em países como a República Democrática do Congo (RDC) vai chegar ao fim devido às realidades logísticas e políticas. É quando a Better Globe Forestry precisa estar preparada com suas plantações de mukau em larga escala.

Além disso, estamos fazendo estudos preliminares para o plantio de Acácia senegal e Acácia seyal em larga escala. Essas acácias produzem goma arábica e são, por tanto, para cultivo comercial. Essas duas espécies nos ajudarão a cobrir os pagamentos a curto prazo às pessoas que investiram nas árvores plantadas no leste da África, enquanto esperamos para gerar retornos do processamento da madeira melia. Nós também criamos uma plantação de manga em larga escala.

Existe uma relação entre as espécies que vocês têm plantado ou planejam plantar e as florestas tropicais da África?

Acreditamos que existirá, já que hoje enormes volumes de madeira de lei como o mogno são extraídos de florestas tropicais africanas. O plantio de milhões de mognos domésticos em áreas secas terá uma tremenda influência para tirar a pressão do corte de árvores em florestas tropicais.

Quais foram as maiores conquistas da empresa nos últimos 10 anos?

A maior conquista é ter sobrevivido por 10 anos por si mesma, sem ajuda financeira externa. Nós somos pioneiros em florestamento em larga escala em ASAL e as principais espécies que plantamos requerem muitas pesquisas. Nesse ambiente seco, qualquer possível erro pode ser um passo para trás. Contudo, nós temos administrado para estabelecer procedimentos e protocolos que cuidam das dificuldades técnicas que temos enfrentado.

Isso também custou algum tempo para traduzir nossa visão em uma organização prática e eficiente com uma missão clara. O caminho a trilhar é complexo e isso foi essencial para simplificar nossas maneiras iniciais de nos organizarmos, o que estamos confiantes que fizemos agora.

Agora, o plantio de árvores está relacionado bem de perto a uma interação dependente com o ambiente humano. Nós ganhamos a confiança dos agricultores e de outras pessoas nas áreas que trabalhamos. Eles vêem e conhecem nossos projetos e eles entendem para onde estamos indo. Isso é essencial para o sucesso a longo prazo dos nossos planos.

Gostaríamos também de mencionar a revista Miti, através da qual nós temos alcançado milhares de pessoas em diferentes países e os feito entender que o plantio de árvores é um bom negócio. Nós nunca teríamos alcançado esse objetivo educacional sem o grande apoio que recebemos de parceiros como o Kenya Forestry Research Institute (KEFRI), The Kenya Forest Service (KFS), The World Agroforestry Centre (ICRAF), a Universidade de Nairobi e a Sawlog Production Grant Scheme (SPGS) em Uganda. Temos trabalhado memorandos de entendimento com todos eles.

Você fala de agro-ecologia o caminho da BGF. Por favor explique isso.

Um agroecosistema é uma interação ou um relacionamento entre diferentes componentes - pessoas, organismos vivos e o ambiente em um sentido muito amplo. Os requisitos e resultados para um sistema desse tipo são bastante complexos. Significa que agroecossistemas são diferentes, embora a sua abordagem é de longo prazo e holística, com diferentes níveis de requisitos.

No caso da Better Globe Forestry Ltd, as pessoas são pequenos agricultores; o ambiente são terras secas e semiáridas, o que torna o sistema muito específico; e as plantações comerciais são resistentes à seca, árvores locais são intercaladas com, por exemplo, grama verde. Outros requisitos são doações de árvores e água, assistência para microcrédito, educação e capacitação. Na verdade, o principal requisito é o próprio sistema como uma ferramenta para erradicar a pobreza.

melia volkensii

Gabriel Muthenge, um agricultor de Mwingi, em pé ao lado de uma linda árvore melia em uma fazenda. A Better Globe Forestry começou a fazer contratos com agricultores para o cultivo de árvores. (Foto: BGF)

Você está envolvido com microcrédito. Por favor explique como isso se encaixa ao modelo da BGF.

Microcrédito é o que possibilita aos agricultores terem acesso ao que é necessário para conseguirem suas próprias entradas no sistema. Quando, por exemplo, agricultores querem plantar grama verde para intercalar com as árvores, eles precisam de um pouco de dinheiro para começar. Microcrédito permite que eles comprem o que precisam e, consequentemente, ganhem dinheiro. Isso também permite-lhes pegar pequenos empréstimos para despesas escolares e para outras facilidades que possam ser um problema para eles em suas vidas diárias. A Better Globe Forestry tem apoiado a K-REP Fedha na criação de um “Banco Comunitário” com esse objetivo e é um enorme sucesso.

Quais benefícios os agricultores extraem do modelo da BGF?

Para erradicar a pobreza, tudo que é implementado nas fazendas precisa ser lucrativo e sistentável para os agricultores. Para alcançar esse objetivo, eles precisam de ajuda, não apenas no início do plantio de árvores, mas durante todo o caminho até a extração. Nós fornecemos, ou ajudamos na provisão de mudas, água, dinheiro através de microcrédito, conhecimento e formação através de nossos conselheiros agroflorestais.

Além disso, a BGF oferece um mercado para as árvores, porque fazemos um acordo com o agricultores, pelo qual nos comprometemos a comprar as árvores deles a preço de mercado quando elas atingirem a maturidade, desde que tenham sido cultivadas de maneira adequada. A maior contribuição dos agricultores é a manutenção das árvores. Sem dúvida, o trabalho tem o seu valor!

Água é a maior preocupação em terras secas e em qualquer outro lugar. Qual é a fonte de água para suas plantações e como vocês gerenciam esse item?

Água não é apenas a maior preocupação, é nosso maior desafio e um desafio muito caro. Antes de iniciar um projeto, nós estudamos a hidrologia de nossos sítios cuidadosamente e, é claro, procuramos conselhos não apenas de experts, mas também conselhos da população local. Existem muitas maneiras de coletar e gerenciar água. Nosso problema é, claro, as quantidades necessárias para suprir as árvores jovens até que elas possam sobreviver por elas mesmas. Nos próximos anos, os problemas de água dos agricultores se tornarão nossos problemas. Cabe a nós encontrarmos soluções sob medida, e elas existem!

Qual é a fonte do seu financiamento?

A Better Globe Forestry tem um acordo de representação com a Better Globe AS da Noruega e, desde 2015, também com outras empresas. Essas empresas desenvolveram muitas maneiras de “crowdfunding” para financiar o plantio de árvores. Alguns de nossos projetos também têm atraído investimento direto real.

Basicamente, a Better Globe AS e as outras empresas vendem árvores para pessoas e empresas por todo o mundo com um compromisso de acordo de recompra durante 17 a 20 anos. A Better Globe Forestry planta, mantém e faz a extração das árvores em nome dos clientes dessas outras empresas. Mais uma vez, o processamento dos produtos das árvores serão feitos localmente.

Árvores Mukau

Poda (corte de ramos) de árvores mukau (Melia volkensii) feita pelos agricultores, para fornecer forragem para o gado na estação seca. Essa é uma visão incomum, embora mais comum do que as pessoas imaginam. Se feita de forma estruturada, a qualidade das árvores não sofre, e constitui mais um incentivo para a plantação de árvores em uma configuração de sistemas agroflorestais. (Foto: BGF)

Como vocês se certificam que o dinheiro vai para onde supostamente deveria ir? Que controle e balanços vocês utilizam para se proteger contra o uso indevido de fundos?

Para começar, nós somos auditados anualmente e as entradas da Better Globe Forestry têm que bater com as saídas nos livros da Better Globe AS. Nós também temos pessoas sérias e superiores no Conselho da Better Globe Forestry que fazem as perguntas certas.

Mais uma vez, todos os anos nós recebemos uma delegação de pessoas que investiram em árvores. A maioria vinda da Escandinávia e querem ver o que fazemos com os investimentos deles. Para eles é importante ter a sensação de que tudo está indo na direção certa. Também é uma ocasião para interagir com a administração aqui e fazer as muitas perguntas que eles têm devido à distância entre eles e o projeto.

Internamente nós temos bons sistemas em uso, com base no sistema ISO de gestão de qualidade. Nós somos muito rigorosos com isso. Além disso, com o passar dos anos, nós temos aprimorado nossos controles financeiros internos e hoje, qualquer desvio do procedimento iria disparar um alarme.

Geralmente, existe uma preocupação sobre o desenvolvimento "imposto" sobre as pessoas por forasteiros. Como a BGF se protege contra isso e como é seu relacionamento com as comunidades que os acolhem?

A maioria das terras disponíveis em áreas secas e semiárido pertencem a uma comunidade de uma maneira ou de outra. Existe um processo muito longo que temos que seguir antes de podermos iniciar o plantio de árvores. O processo é mais ou menos assim:

Quando é nossa própria plantação comercial, começamos escrevendo um estudo de viabilidade, com base no conhecimento disponível no momento. Nós, então, entramos em contato com os administradores das terras e precisamos convencê-los de nossas boas intenções, a sustentabilidade do projeto e, mais importante, as vantagens para a comunidade. Eles têm que convencer os membros e/ou a comunidade e receber um mandato para participar do projeto conosco.

Uma parte do trabalho, então, é definir e iniciar reuniões periódicas. Nesse momento, nos aproximamos e pedimos conselhos de outros interessados, como as autoridades de recursos hídricos, Serviço Florestal, autoridades de manejo ambiental, autoridades de vida selvagem e outros. O projeto também precisa ser aprovado pelo Comitê de Desenvolvimento Distrital da área.

Além disso, se o governo tiver uma participação na propriedade da terra, algum documento oficial, seja um memorando de entendimento ou um acordo de arrendamento, precisa ir para a administração central ou ao Procurador-Geral para aprovação, e então, volta para os oficiais locais para assinatura. Enquanto isso, nós levamos representantes da comunidade para nossos projetos pilotos existentes, para convencê-los de que o plantio de árvores é possível de maneira sustentável em terras secas e no seminárido.

Uma avaliação de impacto ambiental deve ser realizada. Esse documento tem um importante componente social que nos obriga a interagir com a comunidade.

Só quando tivermos atravessado a maior parte desse longo processo poderemos começar o planejamento, orçamento e, finalmente, o plantio.

Quando trabalhamos com agricultores terceirizados, o processo é mais fácil, já que não existem problemas com as terras envolvidas. Contudo, em todos os casos precisamos envolver e convencer as pessoas da viabilidade e benefícios de nossos projetos e leva tempo para fazermos isso. Então, de jeito nenhum poderíamos impôr nossas ideias às pessoas.

Vocês levam em consideração a igualdade de gêneros em suas operações?

Absolutamente! A redução da pobreza é impossível sem levar as mulheres em consideração e sem trabalhar com elas. Nós tentamos ter 40 por cento de nossa força de trabalho composta por mulheres, como uma política da empresa. No entanto, nem sempre é possível atingir isso, uma vez que as mulheres têm muitas tarefas e nem sempre estão disponíveis para trabalhar fora de casa.

Se vocês fossem começar de novo as plantações, o que vocês fariam diferente? Que lições vocês têm aprendido?

Provavelmente começaríamos do jeito que começamos. Como pioneiros, alguém precisa ser ousado o suficiente para assumir alguns riscos e louco o suficiente para navegar no escuro. Precisávamos de todos esses anos para obter um controle claro sobre os aspectos técnicos e financeiros das nossas operações, com base na coleta cuidadosa e registro de informações.

Eu diria que com o que sabemos agora, provavelmente teríamos começado mais cedo com os agricultores terceirizados. Podemos até iniciar novos projetos trabalhando com eles. A maior lição que aprendemos é que tudo leva muito mais tempo do que o esperado e, como você sabe, tempo é dinheiro!

Onde você vê a empresa nos próximos 10 anos? E nos próximos 20 anos?

Nós definitivamente somos a maior empresa de reflorestamento em ASAL e uma autoridade para esse assunto. Em matéria de florestamento, 20 anos não é muito tempo e até lá a nossa principal preocupação será a de obter o direito de processamento de madeira e de conhecer, preparar e fornecer aos mercados no exterior com os nossos produtos acabados. Para isso, também precisaremos preparar uma nova geração de administradores que irão nos suceder, a velha guarda.

Saiba mais sobre a Revista Miti.

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